Apesar da crise, festejos juninos prometem aquecer a economia
- 6 de jun. de 2016
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Em todo o Amapá ocorrem os festejos juninos que movimentam a economia regional e que já fazem parte do roteiro cultural dos amapaenses. Pessoas de vários municípios se programam para prestigiar os eventos culturais do Estado, incentivando a geração de empregos formais e informais, com destaque para as costureiras, coreógrafos, marcadores, estilistas e vendedores ambulantes. Os profissionais aproveitam a oportunidade para tentar sair da tão comentada crise brasileira fomentando a economia do estado e aproveitando para faturar um dinheiro extra.
Sabrina Sena, vendedora autônoma há cerca de cinco anos, afirma que no mês de junho as vendas e o trabalho sobem bastante. Ela trabalha em frente à sua casa, próximo da sede do Boêmios do Laguinho, local esporádico de ensaios de algumas escolas. Sabrina e sua família aproveitam para vender bebidas e comidas típicas. Segundo ela o melhor momento para vender é quando os ensaios já estão quase terminando, porque a procura por comida aumenta. “O público vem prestigiar as quadrilhas e isso faz com que aumente bastante as minhas vendas”, relatou Sabrina.

Foto: Marcelo Loureiro/Governo do Amapá
Ao longo de todo o período da quadra junina, que há meses antes à grande festa, ocorre forrozões, bingos e apresentações de quadrilhas que aquecem o turismo regional. Brincantes de todo o estado participam de seletivas regionais e viajam para se apresentar nos eventos principais na capital Tucujú. Quem está diretamente atrelado a organização das quadrilhas, também procura um meio para melhorar a própria arrecadação e a de sua equipe. Alan Oliveira, coreógrafo da “Quadrilha Encanto junino” de Macapá, salientou que bingos, rifas, torneios esportivos, vendas de comidas típicas e buscar patrocinadores de empresas privadas no decorrer do ano são os meios que os quadrilheiros buscam para arrecadar fundos para o desfile da quadrilha. Quando questionado sobre alguma ajuda política, Alan disse que são poucos os políticos que contribuem com as quadrilhas e que eles deveriam apoiar mais a cultura regional. O custo para deixar pronta uma quadrilha para sua apresentação é alto. O presidente da “Quadrilha pequena Dama”, Reginaldo Pereira, ressalta que “o valor gasto gira em torno de 30 a 40 mil reais”. Segundo ele, só a folha de pagamento chega a aproximadamente 16 mil reais e os gastos com profissionais é imenso, precisando pagar costureiras, estilistas, coreógrafos e artistas plásticos. Em função da grande dificuldade financeira os grupos juninos criam alternativas para continuar com seu sonho e amor a quadra junina driblando a falta de dinheiro.
Andrew Dias, diretor financeiro da “Quadrilha Pequena dama” há 12 anos, afirma que realizar bingos ao som de muito brega e pagodes “foi uma das alternativas que achamos para custear nossa quadrilha”. Segundo ele, a quadrilha está “trabalhando por fora pra conseguir a indumentária”, e através destas festas, que normalmente ocorrem em frente à própria sede do grupo, vendem feijoada, macarronada, churrasquinho, cervejas e frozen. A equipe trabalha há meses nestes eventos para obter verba para participar da quadra e do mês junino. Segundo o diretor, “80 do grupo já está com suas roupas”. As roupas dos homens já estão entregues e das mulheres em fase de finalização na costureira, graças à renda dos bingos e coletas entre os brincantes. Já a atividade de marcador de quadrilha, que tem destaque por apresentar e comandar as apresentações interagindo com o público, segundo o coreógrafo Alan Oliveira, trabalha por contrato, recebendo em média entre mil e dois mil reais pelo período da quadra junina. Já o coreografo profissional, que define e monta a coreografia das apresentações das quadrilhas e candidatas a miss, varia entre mil e quinhentos reais ate cinco mil reais. Os profissionais da área de alimentação também aumentam sua renda no período junino com comidas típicas da festa, como bolo de milho, bolo de macaxeira, mingau, pamonha, entre outros; e os pratos regionais, como maniçoba, vatapá e tacacá. A cozinheira Cecília Bezerra, vinda do nordeste para o Amapá, diz que fatura, ao longo da quadra junina, com a venda extra de pamonha a R$2,50 e curau, um tipo de mingau de milho, vendido a R$2,00.
Crise econômica
Com atual crise econômica financeira que não só o Amapá, mas o país está enfrentando, o Estado ainda não fez o repasse para as quadrilhas. A presidente falou que ainda está em fase de conversação. Para ela ainda há tempo, “porém se não acontecer, isso não impedirá de ter festivais, o festival acontecerá de qualquer jeito”, disse Daiane Ronieri, presidente da Fefap. O estado, que todos os anos repassava verba para as quadrilhas, até o fechamento desta edição não realizou repasses. Segundo a assessoria do governo do estado, pelo mesmo motivo do carnaval, “estamos em meio a uma crise econômica, os repasses federais reduziram. O governo enfrenta dificuldades para pagar a folha; não a há viabilidade econômica para repassar verba para a quadra junina, mas a SECULT está avaliando outras formas de apoiar com custo menor”, disse a assessoria da Secult.

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